
Neste Ano Novo quero tudo novo: emprego, namorado, amigos, aventuras, desventuras, viagens, personagens, ilusão, canção, sonhos, pesadelos, desafios e arrepios... Também prometo sorrir mais e ser menos estraga prazer!
Estraga prazer são indivíduos com capacidade extra-sensorial de acabar sistematicamente com a alegria das outras pessoas.
Era uma vez um namorado que foi passar o Natal com a família dele e uma namorada que foi passar o Natal com a família dela. O namorado disse para a namorada que depois da ceia ia para a casa dela para eles comemorarem e namorarem. Então a namorada ceiou com a família dela, revelaram o amigo secreto, comeram a sobremesa, tiraram muitas fotos, os convidados foram embora e nada do namorado chegar. Deu uma hora e nada, uma e meia e nada, duas horas e nada, lá pelas duas e meia da madruga ela resolveu ligar para o namorado. Eis que ele atende o celular e informa que não irá mais para a casa da namorada, pois foi com um amigo desejar Feliz Natal para outros amigos e já estava tarde para ir na casa da namorada. Ok. A namorada desligou o telefone na cara do namorado e foi dormir muito brava e esquecendo do verdadeiro espírito de Natal.
Depois de uma semana estou de volta... Como é bom estar em casa. Como é bom deitar na minha cama em todos os lados e me esticar para onde eu quiser. Como é bom estar no meu quarto com a minha tv ligada e assistir o que eu quiser. Como é bom ir até a cozinha e comer o que eu quiser. Como é bom ir até a lavanderia e lavar minhas roupas quando e como eu quiser. Como é bom tomar banho em um dos banheiros que eu quiser. Como é bom deitar no sofá da sala e ficar horas e horas assistindo os filmes que eu quiser. Como é bom ficar no meu computador o tempo que eu quiser... Viajar é muito bom. Mas voltar para a casa é melhor ainda.
Vocês acreditam que eu protagonizei um momento estraga prazer lá em Buenos Aires? Pois é, mas no meu lugar acho que vocês também o fariam. Bem, num desses sete dias que lá estivemos fomos convidadas para experimentar o autêntico "asado argentino", o nosso bom e velho churrasco. Começando pela salada e pão com linguiça nos sentimos em casa. Mas quando vem a segunda parte. Quero dizer, as carnes propriamente ditas, nos assustamos. Os cortes das carnes são diferentes, consequentemene, a forma, o tempero e o gosto também. Quando vimos a bandeja com os chinchulines, a morcela e/ou chouriço, e outras carnes, olhamos umas para a outras e pensamos a mesma coisa. "Eu não vou comer isso". Depois da salada e da linguiça eles servem o chinchulines (tripas, mas não com a aparência das linguiças que conhecemos) ela é enrolda formando um caracol. Recheada não me lembro com o que... Enfim, colocaram essa carne no meu prato e eu não sabia por onde começar a cortar. Eis que pedi desculpas e devolvi. Pois não ia conseguir comer. Fiquei só na linguiça, salada, pão e me aventurei a experiementar outras carnes, mas que também foram difícieis de degustar... Pois bem, já quase no fim do churrasco ou asado eis que nossa anfitriã explica que a segunda carne o tal do chinchuline, é como se fosse uma oferta especial ao convidado. Tipo é uma honra para o churrasqueiro te-lo em sua casa, por isso, ele oferece isso para as visitas, e é uma desfeita não aceitar... Pois é, neste dia, eu e minhas amigas não agradamos nossos anfitriões, e com nossas caras de nojo e não comendo quase nada fomos as estraga prazeres daquela noite. Que vontade de uma picanha!!!